sexta-feira, 15 de outubro de 2010



Texo aBAIXO RETIRADO DO BLOG:

http://www.carascomoeu.com.br/2010/10/calma-ele-vai-te-encontrar.html

gABITO NUNES É SIMPLESMENTE GENIAL!

bEIJO

CALMA, ELE VAI TE ENCONTRAR

Se você veste a camisa das casadas e anda meio aflita com a parca probabilidade de reviver um primeiro beijo, uma transa inicial cheia de suor e tremeliques, um primeiro encontro, toma tenência aí, seja mais solidária. Olhe em volta a carinha de suas amigas solteiras, tadinhas. Elas têm saudade mesmo é de um segundo encontro. Não tá fácil, poxa vida.



Agora, também calma aí se você joga nesse segundo time, das garotas que não suportam mais chorar em público ou na frente de ninguém após ouvir o problema não ser você, mas sim a transferência dele para a capital da Armênia, que ninguém sabe, ninguém viu, anunciada só ontem pela multinacional na qual o desalmado trabalha. As coisas não são assim, de uma hora pra outra. Se ele for esperto, vai te encontrar.



Você acha um cara lindo, faz amizade, toca em seu braço e seu cabelo tá de ressaca de tanto ser tremulado contra o vento pra dar bandeira. Pois é, ele só te acha bacana, menina inteligentíssima, sangue de primeira. Tem um outro que, além de um frio na planta do pé, provoca em você uma insana e impertinente vontade de esfregar cuecas estampadas de pé no tanque, desde que sejam dele. Mas ele nasceu com o pau torto e apontado pra qualquer mulher que não você. E tem aquele tipão rico, bonito, gentil e tudo a ver contigo, inclusive a paixão pelo Cristiano Ronaldo sem entender patavinas de futebol. E o outro, que prometeu ligar assim que um rolling stone tiver falência múltipla de órgãos. É dose, mas tenha paciência, ele tá procurando.



Enquanto isso vai se divertindo com os errados. Eu poderia dizer que o tal cara certo anda fazendo o mesmo, mas não é verdade. Ele tá é atrás de você, mulher de deus. Você e seus calcanhares gelados às quatro da manhã e não alguém com seus calcanhares gelados às quatro da manhã. Você e sua metralhadora de pequenos beijinhos em tempos de partida e chegada e não uma qualquer uma com igual metralhadora de pequenos beijinhos em tempos de partida e chegada. Sim você e suas coxas roliças, seu perfume ibérico, seu sorriso com os olhos, seus ombros pequenos, sua mania de caminhar de meia pela casa ou se depilar com o barbeador dele, dando sopa no banheiro. Não uma que tenha tudo isso. Você, com tudo isso.



Entende a diferença? Por isso tanto desencontro, tanta mea culpa esfarrapada, tanto ti-ti-ti e toda essa especulação amorosa de dar nó em operador da Bovespa. Mas as coisas são assim, criatura. Ele olha, acha que é, experimenta, carimba, não devolve as ligações e segue atrás de alguém que o amarre com inexplicáveis atributos. Dói? Ô, se dói. Mas tente escovar os dentes com um esfregão de aço e me conta. Não acredita? Faz o seguinte: ficaí quietinha, do trabalho pra balada e vice-versa, com todas aquelas colheradas de brigadeiro em cada pit-stop pra recarregar as esperanças.



Essa demora faz parte do processo, faz do amor que vier valer a pena e implodir a solidão. Veja por este ângulo: a espera se justifica por você ser tão especialzinha e única, feito uma flor bonita em encostas arenosas. Confia em mim, ele vai te encontrar. Mas siga sua intuição, não perca tempo e beleza com rapazes feitos para outras garotas. Só pelo andar da carruagem você já sabe quem vem dentro.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

quinta-feira, 7 de outubro de 2010


Um único desejo....


sexta-feira, 1 de outubro de 2010



Obrigada por insistir

Até o mais seguro dos homens e a mais confiante das mulheres já passaram por um momento de hesitação, por dúvidas enormes e dúvidas mirins, que talvez nem merecessem ser chamadas de dúvidas, de tão pequenas. Vacilos, seria melhor dizer. Devo ir a este jantar, mesmo sabendo que a dona da casa não me conhece bem? Será que tiro o dinheiro do banco e invisto nesta loucura? Devo mandar um e-mail pedindo desculpas pela minha negligência? Nesta hora, precisamos de um empurrãozinho. E é aos empurradores que dedico esta crônica, a todos aqueles que testemunham os titubeios alheios e dizem: vá em frente!
“Obrigada por insistir para que eu pintasse, que eu escrevesse, que eu atuasse, obrigada por perceber em mim um talento que minha autocrítica jamais permitiria que se desenvolvesse.”
“Obrigada por insistir para que eu fosse visitar meu pai no hospital, eu não me perdoaria se não o tivesse visto e falado com ele uma última vez, eu não teria ido se continuasse sendo regida apenas pela minha teimosia e orgulho.”
“Obrigada por insistir para que eu conhecesse Veneza, do contrário eu ficaria para sempre fugindo de lugares turísticos e me considerando muito esperta, e com isso teria deixado de conhecer a cidade mais surreal e encantadora que meus olhos já viram.”
“Obrigada por insistir para que eu fizesse o exame, para que eu não fosse covarde diante das minhas fragilidades, só assim pude descobrir o que trago no corpo para tratá-lo a tempo. Não fosse por você, eu teria deixado este caroço crescer no meu pescoço e me engolir com medo e tudo.”
“Obrigada por insistir para eu voltar pra você, para eu deixar de ser adolescente e aceitar uma vida a dois, uma família, uma serenidade que eu não suspeitava. Eu não sabia que amava tanto você e que havia lhe dado boas pistas sobre isso, como é que você soube antes de mim?”
“Obrigada por insistir para que eu deixasse você, para que eu fosse seguir minha vida, obrigada pela sua confiança de que seríamos melhores amigos do que amantes, eu estava presa a uma condição social que eu pensava que me favorecia, mas nada me favorece mais do que esta liberdade para a qual você, que me conhece melhor do que eu mesma, apresentou-me como saída.”
“Obrigada por insistir para que eu não fosse àquela festa, eu não teria agüentado ver os dois juntos, eu não teria aturado, eu não evitaria outro escândalo, obrigada por ficar segurando minha mão e ter trancado minha porta.”
“Obrigada por insistir para eu cortar o cabelo, obrigada por insistir para eu dançar com você, obrigada por insistir para eu voltar a estudar, obrigada por insistir para eu não tirar o bebê, obrigada por insistir para eu fazer aquele teste, obrigada por insistir para eu me tratar.”
Em tempos em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhe diz respeito, só mesmo agradecendo àqueles que percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo.

Martha Medeiros